Reforma Ortográfica
A reforma ortográfica vem aí
CRASE
Saiu a noite ou à noite?
Depende.
Se “saiu a noite”, foi a noite que saiu. Eu vou entender que quem saiu foi a noite (=sentido figurado): “a noite surgiu, apareceu…” ou simplesmente “anoiteceu”.
Entretanto, se você “saiu à noite”, significa que você não saiu “à tarde ou pela manhã”, ou seja, “à noite” é um adjunto adverbial de tempo.
Saiu as 10h ou às 10h?
Só pode ter sido “às 10h”.
“Hora” indica tempo e é uma palavra feminina. É um adjunto adverbial de tempo formado por palavra feminina, logo devemos usar o acento grave: “A aula começa sempre às 7h”; “A reunião será às 8h”; “A sessão só começará às 16h”; “Ele vai sair às 20h”.
A reunião será a ou à partir das 14h?
O certo é: “A reunião será a partir das 14h” (=sem acento da crase).
“A partir de” é uma locução prepositiva formada por um verbo. Não há crase, porque é impossível haver artigo antes de verbo (=partir).
A reunião será … das 2h às 4h da tarde ou
de 2h às 4h da tarde ou
de duas a quatro horas ? ? ?
A reunião pode ser “das 2h às 4h da tarde” ou “de duas a quatro horas”. A reunião que vai “das 2h às 4h” começa exatamente às 2h e termina precisamente às 4h. Para haver a idéia de “exatidão, precisão”, é necessário que usemos o artigo definido. Isso justifica o uso da preposição “de” + o artigo definido “as” (=”das 2h”) e a crase (= “às 4h”). Não devemos usar “de 2h às 4h”.
A outra reunião que vai “de duas a quatro horas” não definiu a hora para começar ou terminar. Temos apenas uma idéia aproximada da duração da tal reunião. Não há artigo definido, logo existem apenas as preposições: “de…a”.
OBSERVAÇÃO: Podemos usar essa “dica” em outras situações:
“Trabalhamos de segunda a sexta.” (= de … a …)
“O torneio vai da próxima segunda à sexta-feira.” (= da … à …)
“Leia de cinco a dez páginas por dia.” (= de … a …)
“Leia da página 5 à 10.” (= da … à …)
“Ficou conosco de janeiro a dezembro.” (= de … a …)
“Ficou conosco do meio-dia à meia-noite.” (= do … à …)
“O congresso vai de cinco a quinze de janeiro.” (= de … a …)
“O aumento será de 2% a 5%.” (= de … a …)
Ele está aqui desde as ou às 14h?
O certo é: “Ele está aqui desde as 14h.”
A presença da preposição “desde” significa que não há a preposição “a”, logo não há crase. Temos apenas o artigo definido “as”.
Vejamos outros casos semelhantes: “Após as 18h, as nossas portas estão fechadas.”; “Ele fez o gol com a mão.”; “A reunião ficou para as 16h.”; “Ele teve de comparecer perante a justiça.”
OBSERVAÇÃO – Veja a diferença: “Ela vai à praia” e “Ela vai para a praia”.
No primeiro caso, “ela vai a”, ou seja, “vai e volta, tem hora para voltar”; no segundo, “ela vai para”. Isso quer dizer que “ela não tem hora para voltar, lá sabe Deus se volta”.
Ele ficará aqui até as ou às 18h?
Para muitos gramáticos e professores, é um caso facultativo.
Devido à presença da preposição “até”, prefiro a forma sem o acento grave: “Ele ficará aqui até as 18h.”
OBSERVAÇÃO – O mesmo se aplica no adjunto adverbial de lugar: “Ele foi até a/à praia.” (=”Ele foi até o/ao supermercado”).
Mais uma vez, prefiro a forma sem o acento grave: “Ele foi até a praia.” (=”Ele foi até o supermercado”).
A próxima reunião será a ou à uma hora da tarde?
O certo é: “A próxima reunião será à uma hora da tarde.”
“À uma hora da tarde” é adjunto adverbial de tempo formado por palavra feminina. O acento grave é obrigatório.
OBSERVAÇÃO 1: Não devemos confundir “à uma hora da tarde ou da madrugada” com “a uma hora qualquer”. No primeiro caso, a palavra uma é numeral (= 1h); no segundo, é artigo indefinido.
“Ele chegou à uma hora da tarde.” (=”às 13h”)
“Ele chegou a uma certa hora.” (=”a uma hora qualquer”)
Antes de artigo indefinido é impossível haver crase, pois não teremos o artigo “a” que é definido: “Ele disse que chegaria a uma hora qualquer”; “Referia-se a uma velha história”; “Entregou os documentos a uma secretária”.
OBSERVAÇÃO 2: Em “Todos responderam à uma”, devemos usar o acento grave. “À uma” (=”a uma só voz”) é uma locução adverbial de modo.
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Hoje é dia de observarmos o que não muda no que diz respeito ao uso do hífen.
1ª. Parte – Prefixos sempre seguidos de hífen:
Além – além-mar, além-túmulo;
Aquém – aquém-fronteiras, aquém-mar;
Bem – bem-amado, bem-querer (exceções: bendizer, benquisto);
Ex (= anterior) – ex-senador, ex-esposa;
Grã – grã-duquesa, grã-fino;
Grão (= grande) – grão-duque, grão-mestre;
Pós (tônico) – pós-moderno, pós-meridiano, pós-cabralino;
Pré (tônico) – pré-nupcial, pré-estréia, pré-vestibular, pré-natal;
Pró (tônico) – pró-britânico, pró-governo;
Recém – recém-chegado, recém-nascido, recém-nomeado;
Sem – sem-número (= inúmeros), sem-terra, sem-teto, sem-vergonha;
Sota/soto – sota-piloto, soto-mestre;
Vice/vizo – vice-diretor, vizo-rei.
Observação:
Com o prefixo “CO-“, o uso do hífen era obrigatório: co-autor, co-fundador, co-seno, co-tangente…
Agora, o hífen desaparece: coautor, cofundador, cosseno, cotangente…
Isso correrá também se o segundo elemento começar por H: coabitar, coabitante, coerdeiro…
Nas formações com o prefixo “CO-“, este se aglutina com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar…
2ª. Parte – Devemos usar o hífen:
1) Para dividir sílabas: or-to-gra-fi-a, gra-má-ti-ca, ter-ra, per-do-o, ra-i-nha, trans-for-mar, tran-sa-ção, su-bli-me, sub-li-nhar, rit-mo…
2) Com pronomes enclíticos e mesoclíticos: encontrei-o, recebê-lo, reunimo-nos, encontraram-no, dar-lhe, tornar-se-á, realizar-se-ia…
3) Antes dos sufixos -(GU)AÇU, -MIRIM, -MOR: capim-açu, araçá-guaçu, araçá-mirim, guarda-mor…
4) Em compostos em que o primeiro elemento é forma apocopada (BEL-, GRÃ-, GRÃO- …) ou verbal: bel-prazer, grã-fino, grão-duque, el-rei; arranha-céu, cata-vento, quebra-mola, para-lama, beija-flor…
5) Em nomes próprios compostos que se tornaram comuns: santo-antônio, dom-joão, gonçalo-alves…
6) Em nomes gentílicos: cabo-verdiano, porto-alegrense, espírito-santense, mato-grossense…
7) Em compostos em que o primeiro elemento é numeral: primeiro-ministro, primeira-dama, segunda-feira, terça-feira…
8) Em compostos homogêneos (dois adjetivos, dois verbos): técnico-científico, luso-brasileiro, azul-claro; quebra-quebra, corre-corre, zigue-zague…
9) Em compostos de dois substantivos em que o segundo faz papel de adjetivo: carro-bomba, bomba-relógio, laranja-lima, manga-rosa, tamanduá-bandeira, caminhão-pipa…
10) Em composto em que os elementos, com sua estrutura e acento, perdem a sua significação original e formam uma nova unidade semântica: copo-de-leite, pé-de-moleque, couve-flor, tenente-coronel, pé-frio, unha-de-fome…
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O hífen é uma eterna dor de cabeça. Vejamos algumas regrinhas que mudam muito pouco com o novo acordo ortográfico.
3ª) Com os prefixos HIPER, INTER e SUPER, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “h” ou “r” (essa regra não foi alterada):
1) hiperativo, hiperglicemia, hiper-hidratação, hiper-humano, hiperinflação, hipermercado, hipermiopia, hiperprodução, hiper-realismo, hiper-reativo, hipersensibilidade, hipertensão, hipertiroidismo, hipertrofia,;
2) interação, interativo, intercâmbio, intercessão, interclubes, intercolegial, intercontinental, interdisciplinar, interescolar, interestadual, interface, inter-helênico, inter-humano, interlinguístico, interlocutor, intermunicipal, internacional, interocular, interplanetário, inter-racial, inter-regional, inter-relação, interseção, intertextualidade, intervocálico;
3) superaquecido, supercampeão, supercílio, superdosagem, superfaturado, super-habilidade, super-homem, superinvestidor, superleve, superlotado, supermercado, superpopulação, super-reativo, super-requintado, supersecreto, supersônico, supervalorizado, supervisionar.
4ª) Com o prefixo SUB, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “b” ou “r”: subaquático, sub-base, subchefe, subclasse, subcomissão, subconjunto, subcutâneo, subdelegado, subdiretor, subdivisão, subeditor, subemprego, subentendido, subestimar, subfaturado, subgrupo, subitem, subjacente, subjugado, sublingual, sublocação, submundo, subnutrido, suboficial, subpovoado, subprefeito, sub-raça, sub-reino, sub-reitor, subseção, subsíndico, subsolo, subterrâneo, subtítulo, subtotal.
Segundo a regra antiga, se a palavra seguinte começasse pela letra “H”, deveríamos escrever sem hífen: subepático e subumano. As novas edições de nossos principais dicionários já registram as formas com hífen, como prefere o novo acordo ortográfico: sub-hepático e sub-humano.
5ª) Vejamos alguns casos em que não se usava o hífen. Deveríamos escrever sempre “tudo junto” (= sem hífen). Segundo o novo acordo ortográfico, devemos usar o hífen se o segundo elemento começar por “h” ou por vogal igual à vogal final do pseudoprefixo:
AERO – aeroespacial, aeronave, aeroporto;
AGRO – agroindustrial, agronegócio;
ANFI – anfiartrose, anfíbio, anfiteatro;
AUDIO – audiograma, audiometria, audiovisual;
BI(S) – bianual, bicampeão, bigamia, bisavô, bisneto;
BIO – biodegradável, biofísica, biorritmo, bioterrorismo;
CARDIO – cardiopatia, cardiopulmonar, cardiovascular;
CENTRO – centroavante, centromédio, centrossimetria;
DE(S) – desacerto, desarmonia, despercebido;
ELETRO – eletrocardiograma, eletrodoméstico, eletromagnetismo, eletrossiderurgia;
ESTEREO – estereofônico, estereofotografia, estereoquímico;
FOTO – fotogravura, fotomania, fotossíntese;
HIDRO – hidroavião, hidroelétrico;
MACRO – macroeconomia;
MAXI – maxidesvalorização;
MICRO – microcomputador, micro-onda, micro-ônibus, microrradiografia;
MINI – minidicionário, mini-hotel, minissaia, minirreforma;
MONO – monobloco, monossílabo;
MORFO – morfossintaxe, morfologia;
MOTO – motociclismo, motosserra;
MULTI – multicolorido, multissincronizado;
NEURO – neurocirurgião;
ONI – onipresente, onisciente;
ORTO – ortografia, ortopedia;
PARA – paramilitares, parapsicologia;
PLURI – plurianual;
PENTA – pentacampeão, pentassílabo;
PNEUMO – pneumotórax, pneumologia;
POLI – policromatismo, polissíndeto;
PSICO – psicolinguística, psicossocial;
QUADRI – quadrigêmeos;
RADIO – radioamador;
RE – re-erguer, re-eleger, rever, rerratificação;
RETRO – retroagir, retroprojetor;
SACRO – sacrossanto;
SOCIO – sociolinguístico, sociopolítico, sociocultural;
TELE – telecomunicações, tele-entrega, televendas, telessexo;
TERMO – termodinâmica, termoelétrica;
TETRA – tetracampeão, tetraplégico;
TRI – tridimensional, tricampeão;
UNI – unicelular;
ZOO – zootecnia, zoológico.
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Hoje é dia de sabermos o que muda e o que não muda com o novo acordo ortográfico.
1ª. Parte – Uso do hífen com prefixos:
1ª) Com os prefixos AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO, PSEUDO, SEMI, SUPRA e ULTRA, segundo o novo acordo ortográfico, só devemos usar hífen se a palavra seguinte começar por “h” ou vogal igual à vogal final do prefixo:
auto-hipnose, auto-observação; contra-almirante, contra-ataque; extra-hepático; infra-assinado, infra-hepático; intra-adnominal, intra-hepático; neo-hamburguês; proto-história, proto-orgânico; semi-inconsciência, semi-interno, supra-anal, supra-hepático; ultra-aquecido, ultra-hiperbólico.
Observação:
Com as demais letras, devemos escrever “tudo junto”, sem hífen (pela regra antiga, usávamos hífen quando a palavra seguinte começava por H, R , S e qualquer vogal):
1) autoadesivo, autoanálise, autobiografia, autoconfiança, autocontrole, autocrítica, autodestruição, autodidata, autoescola, autógrafo, autoidolatria, automedicação, automóvel, autopeça, autopiedade, autopromoção, autorretrato, autosserviço, autossuficiente, autossustentável, autoterapia;
2) contrabaixo, contraceptivo, contracheque, contradança, contradizer, contraespião, contrafilé, contragolpe, contraindicação, contramão, contraordem, contrapartida, contrapeso, contraponto, contraproposta, contraprova, contrarreforma, contrassenso, contraveneno;
3) extraconjugal, extracurricular, extraditar, extraescolar, extragramatical, extrajudicial, extraoficial, extrapartidário, extraterreno, extraterrestre, extratropical, extravascular.
4) infracitado, infraestrutura, inframaxilar, infraocular, infrarrenal, infrassom, infravermelho, infravioleta;
5) intracelular, intracraniano, intracutâneo, intragrupal, intralinguístico, intramolecular, intramuscular, intranasal, intranet, intraocular, intrarracial, intratextual, intrauterino, intravenoso, intrazonal;
6) neoacadêmico, neobarroco, neoclassicismo, neocolonialismo, neofascismo, neofriburguense, neoirlandês, neolatino, neoliberal, neologismo, neonatal, neonazista, neorromântico, neossocialismo, neozelandês;
7) protocolar, protoevangelho, protofonia, protagonista, protoneurônio, prototórax, protótipo, protozoário.
8) pseudoartista, pseudocientífico, pseudoedema, pseudofilosofia, pseudofratura, pseudomembrana, pseudoparalisia, pseudopneumonia, pseudópode, pseudoproblema, pseudorrainha, pseudorrepresentação, pseudossábio;
9) semiaberto, semialfabetizado, semiárido, semibreve, semicírculo, semiconsciência, semidestruído, semideus, semiescravidão, semifinal, semiletrado, seminu, semirreta, semisselvagem, semitangente, semitotal, semiúmido, semivogal;
10) supracitado, supramencionado, suprapartidário, suprarrenal, suprassumo, supravaginal;
11) ultracansado, ultraelevado, ultrafamoso, ultrafecundo, ultrajudicial, ultraliberal, ultramarino, ultranacionalismo, ultraoceânico, ultrapassagem, ultrarradical, ultrarromântico, ultrassensível, ultrassom, ultrassonografia, ultravírus.
2ª) Com os prefixos ANTE, ANTI, ARQUI e SOBRE, só devemos usar hífen se a palavra seguinte começar com “h” ou vogal igual à vogal final do prefixo (pela regra antiga, usávamos o hífen quando a palavra seguinte começava por H, R ou S):
1) antebraço, antecâmara, antecontrato, antediluviano, antegozar, ante-histórico, antejulgar, antemão, anteontem, antepenúltimo, anteprojeto, anterrepublicano, antessala, antevéspera, antevisão;
2) antiabortivo, antiácido, antiaéreo, antialérgico, anticapitalista, anticlímax,
anticoncepcional, antidepressivo, antidesportivo, antiético, antifebril, antigripal, anti-hemorrágico, anti-herói, anti-horário, anti-imperialismo, anti-inflacionário, antimíssil, antiofídico, antioxidante, antipatriótico, antirrábico, antirradicalista, antissemita, antissocial, antiterrorismo, antitetânico, antivírus;
3) arquibancada, arquidiocese, arquiduque, arqui-hipérbole, arqui-
inimigo, arquimilionário, arquipélago, arquirrival, arquissacerdote;
4) sobreaviso, sobrebainha, sobrecapa, sobrecarga, sobrecomum,
sobrecoxa, sobre-erguer, sobre-humano, sobreloja, sobremesa, sobrenatural, sobrenome, sobrepasso, sobrerrenal, sobrerroda, sobressaia, sobressalto, sobretaxa, sobretudo, sobreviver, sobrevoo.
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Hoje veremos o que estabelece o novo acordo ortográfico a respeito do uso do hífen.
1ª) Nas formações com prefixos (ANTE, ANTI, ARQUI, AUTO, CIRCUM, CO, CONTRA, ENTRE, EXTRA, HIPER, INFRA, INTER, INTRA, SEMI, SOBRE, SUB, SUPER, SUPRA, ULTRA…) e em formações com falsos prefixos (AERO, FOTO, MACRO, MAXI, MICRO, MINI, NEO, PAN, PROTO, PSEUDO, RETRO, TELE…), só se emprega o hífen nos seguintes casos:
a) Nas formações em que o segundo elemento começa por “H”: ante-histórico, anti-higiênico, anti-herói, anti-horário, auto-hipnose, circum-hospitalar, co-herdeiro, infra-hepático, inter-humano, hiper-hidratação, neo-hamburguês, pan-helênico, proto-história, semi-hospitalar, sobre-humano, sub-humano, super-homem, ultra-hiperbólico…
Observação: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos “DES-“ e “IN-“ e nas quais o segundo elemento perdeu o “h” inicial: desumano, desarmonia, desumidificar, inábil, inumano…
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na MESMA VOGAL com que se inicia o segundo elemento: auto-observação, anti-imperialismo, anti-inflacionário, anti-inflamatório, arqui-inimigo, arqui-irmandade, contra-almirante, contra-ataque, infra-assinado, infra-axilar, intra-abdominal, proto-orgânico, re-eleger, semi-inconsciência, semi-interno, sobre-erguer, supra-anal, supra-auricular, ultra-aquecido, eletro-ótica, micro-onda, micro-ônibus…
Observações:
1ª) Nas formações com o prefixo “CO-“, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar…
2ª) Nas formações com os prefixos “CIRCUM-“ e “PAN-“, quando o segundo elemento começa por “h”, vogal, “m” ou “n”, devemos usar o hífen: circum-hospitalar, circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude…
2ª) Com os prefixos AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO, PSEUDO, SEMI, SUPRA, ULTRA, ANTE, ANTI, ARQUI e SOBRE, se o segundo elemento começa por “s” ou “r”, devemos dobrar as consoantes, em vez de usar o hífen:
Como era:
auto-retrato, auto-serviço, auto-suficiente, auto-sustentável, contra-reforma, contra-senso, infra-renal, infra-som, intra-racial, neo-romântico, neo-socialismo, pseudo-rainha, pseudo-representação, pseudo-sábio, semi-reta, semi-selvagem, supra-renal, supra-sumo, ultra-radical, ultra-romântico, ultra-som, ultra-sonografia, ante-republicano, ante-sala, anti-rábico, anti-racista, anti-radical, anti-semita, anti-social, arqui-rival, arqui-sacerdote, sobre-renal, sobre-roda, sobre-saia, sobre-salto…
Como fica:
autorretrato, autosserviço, autossuficiente, autossustentável, contrarreforma, contrassenso, infrarrenal, infrassom, intrarracial, neorromântico, neossocialismo, pseudorrainha, pseudorrepresentação, pseudossábio, semirreta, semisselvagem, suprarrenal, suprassumo, ultrarradical, ultrarromântico, ultrassom, ultrassonografia, anterrepublicano, antessala, antirrábico, antirracista, antirradical, antissemita, antissocial, arquirrival, arquissacerdote, sobrerrenal, sobrerroda, sobressaia, sobressalto…
Com os prefixos terminados em vogal, se o segundo elemento começa por uma vogal diferente, devemos escrever sem hífen:
Como era:
auto-adesivo, auto-análise, auto-idolatria, contra-espião, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-acadêmico, neo-irlandês, proto-evangelho, pseudo-artista, pseudo-edema, semi-aberto, semi-alfabetizado, semi-árido, semi-escravidão, semi-úmido, ultra-elevado, ultra-oceânico…
Como fica:
autoadesivo, autoanálise, autoidolatria, contraespião, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoacadêmico, neoirlandês, protoevangelho, pseudoartista, pseudoedema, semiaberto, semialfabetizado, semiárido, semiescravidão, semiúmido, ultraelevado, ultraoceânico…
Acordo Ortográfico será aplicado até 1 de Janeiro de 2010 – Portugal
Lisboa, 30 Jan (Lusa) – O ministro da Cultura, que hoje cumpre um ano de mandato, quer que o Acordo Ortográfico, “o mais tardar em 1 de Janeiro de 2010″, seja aplicado “a nível oficial e em todos os meios de comunicação social”.
Em entrevista à Lusa, Pinto Ribeiro reafirmou a importância do Acordo Ortográfico para a estratégia que o seu ministério pretende implementar. Para o ministro, “quanto mais cedo melhor”, mas elege a referida data como limite para a aplicação do acordo.
Contudo, entende que “há que evitar que a língua seja um processo de fragmentação e, pelo contrário, seja um processo de uniformização/expansão. Isto faz-se através de um trabalho conjunto, solidários com todos os utilizadores”.
Reconhecendo a importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o ministro quer “assegurar que, concertadamente com os outros países, se avance no processo de ratificação do último adicional do Acordo Ortográfico, para conseguirmos ter uma escrita unitária do português”.
Ainda segundo o ministro, “há muitos sítios onde as autoridades se recusam a ensinar português porque não sabem se o hão-de fazer na versão escrita brasileira ou europeia. Ora, “tudo isso fica resolvido através do acordo ortográfico”, acredita.
Assim, uma arma fundamental é a produção de um corrector de texto, aplicável a várias plataformas informáticas, que integra as novas regras da escrita em português e que, segundo Pinto Ribeiro, deverá estar disponível até ao final deste mês.
O ministro pretende ver o português como “língua de trabalho em todas as organizações internacionais”. Neste sentido, “estamos, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), a reformular o Instituto Camões para que seja desenvolvido este trabalho de expansão da língua” e que passará pela digitalização de conteúdos.
Porque a considera como “valor essencial, é fundamental para a defesa da língua que tudo esteja na Internet: a ciência que existe em português, as técnicas, a literatura, os acervos, etc.”, também porque “se não estiver na Internet não terá possibilidade de se afirmar”.
Neste sentido, o ministro considera que “existe a necessidade de traduzirmos tudo o que existe noutras línguas para português. Com o apoio da Comissão Europeia, estamos a trabalhar nesse sentido, como também estamos a traduzir autores portugueses para outras línguas”.
A palavra de ordem é “colaboração. Não faz sentido estarmos a digitalizar obras que já estão digitalizadas em sites brasileiros, porque temos de evitar redundâncias”, afirma Pinto Ribeiro.
Ainda no mesmo âmbito, o ministro acredita que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que até 31 de Janeiro é suposto apresentar o projecto da sua reformulação, tem de ser “dotado de meios”. O ministro reconhece que o IILP tem “funcionado deficientemente, muito mal e muito pouco”.
Mas as culpas terão de ser assacadas “também aos países que não nomeiam as comissões linguísticas. São precisas comissões científicas, de escritores e pessoas associadas à língua, que possam trabalhar em conjunto com o IILP”. Não estando estas comissões sequer nomeadas, “há um grande esforço para que isso aconteça”, afirma.
Para o ministro, só a colaboração com os outros países da CPLP, nomeadamente o Brasil, poderá dar frutos significativos. “Somos dez milhões neste rectângulo; seremos mais cinco milhões dispersos pelo mundo. Em 1960, havia 70 milhões de brasileiros e em 2008 há 190 milhões, isto é, o Brasil gerou mais falantes de português nos últimos 48 anos, do que nós gerámos em 900″.
Quanto aos críticos do Acordo Ortográfico, o ministro entende que “todas as pessoas são livres de escrever como quiserem”. Mas pretende que “integrem a nova forma” e, por ele, “quanto mais cedo melhor”.
Não deixa, no entanto, de deixar uma palavra aos que “trabalham com a língua quotidianamente – os grandes escritores, os poetas”. Estes poderão escrever português como entenderem. O ministro garante que não levará a mal.
CMJ.
Lusa/Fim
Retirado do site: RTP Notícias

