Além da Tradução
Palavras
Palavras*
(Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil) – 25/05/2006
A uma mestra das palavras!
Palavras homéricas, oh! meras palavras.
Aceiras, soantes, só antes faladas.
Utópicas ou tópicas, utentes, usadas,
Ladinas, docentes, indecentes, roubadas,
Arteiras. Outeiros. Solteiras sois nada!
Mitigam bravias, instigam bravatas.
Ausentes senhoras sem hora marcada.
Remédio do ente, do crente cruzada,
Levedo da alma, à palma estocada.
Enlevo e arroubo à roupa surrada,
Infantes em festa; enfesta infestada
Nenhures inermes, inertes rearmadas.
Estio de amores das dores invernada.
*Todos os direitos reservados. Liberado para cópia e publicação sem autorização prévia, desde que: o conteúdo original seja preservado na íntegra (inclusive com os erros de ortografia e gramática), e com o mesmo estilo de identificação do autor acima, ou seja (Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil), abaixo do título.
celso.alvares@softword.com.br
Softword Traduções e Consultoria Ltda
Sorocaba – SP
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Dia do Tradutor: o que é “ser tradutor”?
Em homenagem ao Dia do Tradutor, o site tradutores.COM organizou uma definição coletiva de “ser tradutor”.
Diferentemente de “fazer traduções”, “ser tradutor” significa abraçar uma profissão muitas vezes anônima, sem o devido reconhecimento.
Com a palavra, os tradutores de nosso site:
Ser tradutor literário é poder levar a vida de forma mais poética.
Acredito que o ofício da tradução nos remeta, em alguns momentos, à uma doce melancolia, que nos faz , por exemplo, diante da beleza do texto de um autor admirado, desejar “estar lá, estando aqui”.
Transferir cultura de um país para outro cuidando para que sutilezas não escapem durante este minucioso processo, driblar as armadilhas das expressões idiomáticas, ser fiel ao texto original e, ao mesmo tempo, mantê-lo inteligível, é o constante desafio do trabalho e, porque não dizer, o grande estímulo para sua realização.
Como em uma cirurgia de transplante, o objetivo é fazer com que a obra “viva” fora do lugar de origem.
A obra traduzida desencadeia uma impressionante multiplicação de relacionamentos, porque tradução é, antes de tudo, comunicação. E se é comunicação, atinge o outro, e se atinge o outro, pode transformá-lo.
A maior homenagem aos tradutores se encontra na frase de José Saramago:
” Os autores escrevem as suas respectivas literaturas nacionais, mas a literatura mundial é obra dos tradutores.”
Abraços a todos.
Bianca Wandt
Alemão<>Português
Traduzir não significa simplesmente colocar as palavras em outro idioma. Um tradutor por excelência sabe como entender as entrelinhas e a intenção não explícita do autor.
Ser tradutor é um pouco com ser terapeuta de casais – você passa seu tempo a mediar a complexa relação de amor(e ódio) entre duas línguas que, embora diferentes, precisam conviver e dialogar uma com a outra…
Ratificando a frase “tradutor é traidor”. Sim somos traidores sim, do nosso pensamento, do nosso sentimento, da nossa vontade, porque em uma tradução nós expomos em vitrines reluzentes, em letras garrafais o sentimento, atitude, necessidade, virtude e qualidade de outrem. Escondemos nossa face, para que o mundo reconhece o autor de cada texto, manual, roteiro etc.
Mas, e tem sempre um MAS, o nosso estilo, nosso universo lingüístico e nosso conhecimento de mundo fica implícito em cada sílaba, em cada palavra traduzida, sem, no entanto, fugir ou ser infiel ao texto. Isto nos realiza e nos torna acima de tudo Profissionais.
Rosangela Aparecida Pelegatti Rotter
Ser tradutor é, antes de tudo, dar oportunidade a outrem de conhecer o desconhecido. Oportunizar pessoas, de outras culturas, a conhecer os pensamentos e produções realizados do lado de cá. È ainda dar a outras pessoas a oportunidade de vijar, através do seu texto até o lado de lá, não esquecendo porém de realizar tal proeza de forma sutil, ficando sempre no cantinho para não ser identificado, evitar mostrar o seu estilo no texto a ser traduzido. Não esquecendo de tentar traduzir beleza por beleza,figura por figura, imitando o estilo do autor e dele se aproximando até o limite do possível, fazer da tradução um quadro e uma representação viva da obra
que se traduz.
“In the same way that the direction of the wind doesn’t determine the sailor’s destination, the language we speak will not determine our destiny.”
Ricardo Schütz
Aprecio a linguagem em todas as suas nuances, amo bricar com as palavras e percebo que os detalhes de riquezas dos diversos idiomas embelezam o mundo em que vivemos.
Guiomar Barros
Ser tradutor antes de tudo significa ser uma pessoa culturalmente aberta. Aberta para o diferente, aberta para o contato com o desconhecido, aberta para as conexoes com aquilo outrora desconectado. Desconectado em termos de lingua, em nivel de relacionamentos interpessoais e interculturais. O tradutor pode ser compreendido com um ser que molda um construto sistemico de ideias, de linguas, de significados, de saberes, enfim, de pluralidades multi, inter e transdisciplinares. Acima de qualquer coisa, ser traduto nos lembra a necessidade de ser um alguem humilde, ensinavel, flexivel e capaz de proceder caminhando em constante amadurecimento teorico, metodologico e profissional, pois, ser tradutor nao lembra ser o detentor das solucoes, mas sim, o investigador e indicador de possibilidades.
Tradutor
artesão de palavras
realizando
a travessia
Ser traadutor é se apaixonar pelo texto e querer decifrá-lo em outra língua.
Mirian Giannella
Francês<>Português
São Paulo – SP
A TAREFA DAS TRADUTORAS E TRADUTORES
“As tradutoras e tradutores têm como essência de sua tarefa tornar o diferente compreensível. Logo, os seres humanos reconhecem que há diferenças, como não poderiam deixar de fazê-lo, mas precisam transpô-las de alguma forma, porque, como se sabe, os seres humanos são animais discursivos, animais que buscam, pela(s) linguagens postas em discurso, compreender o outro, entender a diferença que é o outro, porque só fazendo isso cada ser humano é capaz de entender a si mesmo: o sentido nasce da diferença.
Num mundo globalizado como o nosso, mundo babélico por excelência, então, essa tarefa se torna ainda mais complexa, pois se a um contato maior com o todo do mundo se associa a busca mais intensa da segurança das partes respectivas do mundo na qual cada grupo humano – e mesmo cada pessoa – está, a compreensão da diferença para a qual a tarefa de traduzir contribui tem de levar ainda mais em conta o outro lado, ou face, do Jano aí presente, que é o público do discurso traduzido, ao lado de uma importante fonte do discurso traduzido, que são os discursos em outra língua, isto é, as formas típicas de numa dada língua, se dizer certas coisas em determinados contextos. Assim, o que se chama de “original” — e prefiro chamar de “texto a ser traduzido” — é na verdade uma das fontes, pois, a depender dessas formas típicas (ou gêneros), a mesma palavra pode apresentar as mais distintas ressonâncias de sentido.
(…)
Desse modo, o ato de tradução é um contato que envolve tanto o acordo como o confronto, uma “negociação” específica entre dois diferentes, ou duas diferenças. Há um diferente do qual se traduz e para esse diferente, a língua para a qual se traduz também é um diferente. O diferente a ser traduzido, apesar da globalização, ainda é local: um falante de uma dada língua dirige-se a seus pares. O diferente para o qual traduzimos requer que um falante de uma dada língua dirija-se a seus pares e não aos pares do autor que ele traduz. ”
“Reproduzido, com permissão do autor, de SOBRAL, Adail. Dizer o “mesmo” a outros – Ensaios sobre tradução. São Paulo: SBS, 2008, p. 112-114.”
Adail Ubirajara Sobral
São Paulo – SP
Quem somos?
Tradutores, afinal, quem somos?
Somos construtores de pontes,
Pontes de palavras, de idéias, de conceitos,
Nossa função?
Reescrever, de modo imperceptível,
Transformar originais em originais,
Redigir o impossível,
Recriar o imponderável,
Nossa sina?
O anonimato, a invisibilidade, o silêncio,
Nosso grande erro?
Ansiar sermos reconhecidos, identificados, percebidos…
Se reconhecidos formos, é por termos deixado nossas pegadas no texto,
Não mais sendo invisíveis, fatalmente estaremos errando,
Tradutores?
Quem somos, afinal?
Construtores de pontes,de palavras, de idéias, de conceitos,
Anônimos, invisíveis, silenciosos,
Assim somos, fomos, seremos,
Até o dia em que o brilho de nossa invisibilidade rompa
definitivamente o silêncio que nos mantém incógnitos,
Neste dia…bem, neste dia o sol e a lua, juntos, brilharão a mais
linda luz jamais vista.
E nós, ofuscados por tanta claridade, continuaremos construindo nossas pontes,
de palavras, de idéias, de conceitos,
de silêncio,
de contentamento.
Ana Julia Perrotti-Garcia
Espanhol > Português <> Inglês – Translator of Dental and Medical Texts
São Paulo -SP
O que é ser Tradutor?
Amar acima de tudo esse extraordinário meio de comunicação que a civilização nos concedeu: o idioma. Tentar continuamente transpor a fronteira que nos separa do visível e audível para entrar no campo do invísivel e inaudível, onde, muitas vezes estão escondidas as verdades que o homem deseja exprimir.
Respeitar, humildemente, as diferenças culturais e, mais do que isso, as diferenças entre os indivíduos. Ter olhos e ouvidos capazes de explorar e fazer aflorar os pensamentos, sentimentos e murmúrios que se abrigam nas entrelinhas e entre uma fala e a outra. Ser tradutor é ser capaz de sentir, chorar e rir com o autor ou o interlocutor, mas saber manter uma distância dele para que seja sempre o seu fiel mensageiro capaz de transmitir de uma forma límpida e pura o seu desejo, isento de emoções que deturpem a sua verdade.
Zelinda Tomie Fujikawa – Rio de Janeiro – RJ
Ser Tradutor
O que é ser tradutor?
Na minha opinião, ser tradutor é, antes de mais nada, SER tradutor e não ESTAR tradutor…é ser profissional de verdade, pesquisar, estudar, correr atrás para fazer um trabalho bem feito, é não aceitar qualquer trabalho e claro, tentar traduzir áreas das quais entenda para não fazer besteira, afinal de contas quem faz coisas demais ao mesmo tempo, acaba não fazendo nada bem feito…é ser uma ponte entre culturas e povos diferentes. É ser aquele que liga, aquele que ajuda a divulgar o conhecimento!
Carolina Dias
Inglês/Português – Biomédicas e Turismo
Belo Horizonte – MG
Inexprimível
Inexprimível
(Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil) – 10/03/2005
Ao meu fião…
F_az tempo que frustrado busco
E_xpor o que não sei medir
L_etras que combino e rebusco,
I_nanes, mal traçam um croqui
P_alavras em mídia ordinária
E_státicas e sem pulsação
L_oquazes, contudo, tão falhas
U_ltrajam a minha emoção
I_ndômito, recorro à álgebra
Z_erando a seguinte expressão:
Eu – Você = 0
*Todos os direitos reservados. Liberado para cópia e publicação sem autorização prévia, desde que: o conteúdo original seja preservado na íntegra (inclusive com os erros de ortografia e gramática), e com o mesmo estilo de identificação do autor acima, ou seja (Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil), abaixo do título.
celso.alvares@softword.com.br
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Amante
Contigo,
o fluir das horas, desavisado,
o desprezo supremo ao risco e ao chão cariado,
olhos nas estrelas, miríades delas, estrelas rútilas
até na hora da saída desse mundo
e depois da saída…
…porque estás aqui, querida,
sempre comigo,
as imagens dançam
e o coração dispara;
uma palavra tua, e
meus olhos marejam,
que alguma passagem rara
me abres, p’ro teu coração…
Contigo,
é a certeza de que tenho uma alma
e um corpo só para ti, em mil dobras
que me apequenarão
para caber, quentinho,
na tua mão, na tua palma.
Fernando Gomes do Nascimento
E-mail: axaxaxas@terra.com.br
Tradutor Inglês/Português e Espanhol/Português. Especializado em Medicina, Bioquímica, Farmacologia e Medicina Esportiva.
Esta poesia foi criada por ocasião do aniversário de sua esposa.


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