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Além da Tradução


Círculo

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Círculo

Pertenço aqui, no tosco círculo riscado na realidade do chão
Sob esparsas luzes de estrelas, de velas, de fogueiras
A luz da Lua, seu rosto iluminado e iluminante
As luzes dos olhos dos que me cercam, roupas ao vento
Refletindo estrelas como imensidão de abismos.
Com eles levanto as mãos ao orvalho, ao sereno, à chuva
Acolho o vendaval e o sol nascente com o mesmo amor
Como a mulher que sou, e que recebe de seu homem
Tanto a alegria quanto o tormento, sabendo que ambos
São parte apenas de uma realidade maior, além do homem
E que o poder do amor que nasce em mim é meu
Não dele. Penetro assim no círculo como quem chega em casa.
Como quem abre a porta para sentir um cheiro conhecido
Deixando fora o mundo da certeza dos jovens conceituosos
Dos velhos desiludidos a buscar consolo na garrafa
De mulheres cansadas que desconhecem que são belas.
Penetro no som, na dança, na bruma, no fogo, no frio
No poder da Terra, de onde saem todos os viventes
E aonde todos eles retornam – alguns assim, em canto
Outros apenas quando todas as suas realidades se apagam -
A realidade da certeza, da garrafa, da desilusão -
E a Terra afinal os recebe, última pousada, útero e cova.
Estes dormem sem que descubram a grandeza da liberdade
O poder intenso e imanente de conhecer e conhecer-se
De sentir-se filho e amante, mãe e consorte, livre e interligado.
Quanto a mim – escolho o círculo da realidade do chão
O canto do vendaval e do sol nascente
O canto da alegria e do tormento.
Eu sou semente, árvore, fruto.
Sou mulher, o tosco círculo
riscado na realidade do chão.

© Dalva Agne Lynch
Visite: www.dalvalynch.net

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31/10/2008 às 14:33

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Filha da Magia

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Filha da Magia

(do livro Às Portas da Noite, 2001)

Como tu
também eu renasci de mim mesma
ao toque misterioso e sublime
de mãos etéreas, ao som do canto
dos sons cadenciados da Magia
da fumaça e do sangue
se me escorrendo pela cara
manchando-me as vestes
e o ódio inútil se dissipando
fumaça
ao vento do meu amor
alçando asas rotas
exangues
no tormento do meu amor
destroçando-se
silencioso
no grito do meu amor
e as mãos etéreas me trazendo
à vida, em parto agonizante
eu, deusa suja de sangue
filha da Magia
e meu amor.

© Dalva Agne Lynch
Visite: www.dalvalynch.net

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31/10/2008 às 13:41

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TEACHING

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Em homenagem ao professor que, nos dias sombrios de hoje, tem que ser um Dom Quixote em luta contra moinhos de vento, escrevi este poema num momento especial em que fazia um curso de especialização para professores de lingua inglesa. É claro que ele foi escrito no idioma que é minha segunda língua, mas pela qual consigo expressar sentimentos e emoções com sensibilidade.

TEACHING

Teaching is to plant
Seeds of light
Into the dark soil of mind
Harsh wind digging
The farmed ground
Anxious for knowledge.
And there in the narrow space
Fruits of wisdom come up
Reflecting the shinning web
What we are made of:
A learning being.

By Célia Maria L. Viana / 2002

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17/10/2008 às 10:54

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Nas brumas de mim

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Nas brumas de mim

Acalanta-me
nas brumas de mim!
Faze nascer o dia das pequenas horas
a antemanhã das ondas que me afogam
o despertar do sol
dos vagalhões que me silenciam!
Ah, aproxima-te!
Preciso de mãos que não as minhas
para fazer poemas.
Aproxima-te com um soneto
uma redondilha
declama em voz alta ao pé de mim
na hora do silêncio maior.
Até que se me voltem as palavras
e se me voltem belas
e outra vez desperte o canto
ao nascer do sol!
Ah, Poeta
peço-te
acalanta-me
nas brumas de mim!

ENGLISH VERSION

In the deep mists of myself

Soothe me
in the deep mists
of myself.
Bring forth the day
from the small hours
the dawn
from the drowning waves
the sunrise
from the howling billows!
Oh please come near!
I need hands other than mine
to make a poem.
Come near with sonnets
with roundels
recite them to me
in the silent hours
til my words come back in beauty
and my song returns
with the rising sun!
Oh my Poet
I beseech you
please soothe me
softly
in the deep mists
of myself!

Dalva Agne Lynch
Visite: www.dalvalynch.net

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de Dalva Agne Lynch e o site www.dalvalynch.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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08/10/2008 às 17:28

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Palavras

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Palavras*
(Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil) – 25/05/2006

A uma mestra das palavras!

Palavras homéricas, oh! meras palavras.
Aceiras, soantes, só antes faladas.
Utópicas ou tópicas, utentes, usadas,
Ladinas, docentes, indecentes, roubadas,
Arteiras. Outeiros. Solteiras sois nada!
Mitigam bravias, instigam bravatas.
Ausentes senhoras sem hora marcada.
Remédio do ente, do crente cruzada,
Levedo da alma, à palma estocada.
Enlevo e arroubo à roupa surrada,
Infantes em festa; enfesta infestada
Nenhures inermes, inertes rearmadas.
Estio de amores das dores invernada.

*Todos os direitos reservados. Liberado para cópia e publicação sem autorização prévia, desde que: o conteúdo original seja preservado na íntegra (inclusive com os erros de ortografia e gramática), e com o mesmo estilo de identificação do autor acima, ou seja (Celso Alvares, Sorocaba, SP – Brasil), abaixo do título.

celso.alvares@softword.com.br
Softword Traduções e Consultoria Ltda
Sorocaba – SP
Visite: www.softword.com.br

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01/10/2008 às 12:06

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Dia do Tradutor: o que é “ser tradutor”?

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Em homenagem ao Dia do Tradutor, o site tradutores.COM organizou uma definição coletiva de “ser tradutor”.

Diferentemente de “fazer traduções”, “ser tradutor” significa abraçar uma profissão muitas vezes anônima, sem o devido reconhecimento.

Com a palavra, os tradutores de nosso site:

Ser tradutor literário é poder levar a vida de forma mais poética.

Acredito que o ofício da tradução nos remeta, em alguns momentos, à uma doce melancolia, que nos faz , por exemplo, diante da beleza do texto de um autor admirado, desejar “estar lá, estando aqui”.

Transferir cultura de um país para outro cuidando para que sutilezas não escapem durante este minucioso processo, driblar as armadilhas das expressões idiomáticas, ser fiel ao texto original e, ao mesmo tempo, mantê-lo inteligível, é o constante desafio do trabalho e, porque não dizer, o grande estímulo para sua realização.

Como em uma cirurgia de transplante, o objetivo é fazer com que a obra “viva” fora do lugar de origem.

A obra traduzida desencadeia uma impressionante multiplicação de relacionamentos, porque tradução é, antes de tudo, comunicação. E se é comunicação, atinge o outro, e se atinge o outro, pode transformá-lo.

A maior homenagem aos tradutores se encontra na frase de José Saramago:

” Os autores escrevem as suas respectivas literaturas nacionais, mas a literatura mundial é obra dos tradutores.”

Abraços a todos.

Bianca Wandt
Alemão<>Português



Traduzir não significa simplesmente colocar as palavras em outro idioma. Um tradutor por excelência sabe como entender as entrelinhas e a intenção não explícita do autor.

Peter Blakeney


Ser tradutor é um pouco com ser terapeuta de casais – você passa seu tempo a mediar a complexa relação de amor(e ódio) entre duas línguas que, embora diferentes, precisam conviver e dialogar uma com a outra…

DIANA FORTIER


Ratificando a frase “tradutor é traidor”. Sim somos traidores sim, do nosso pensamento, do nosso sentimento, da nossa vontade, porque em uma tradução nós expomos em vitrines reluzentes, em letras garrafais o sentimento, atitude, necessidade, virtude e qualidade de outrem. Escondemos nossa face, para que o mundo reconhece o autor de cada texto, manual, roteiro etc.
Mas, e tem sempre um MAS, o nosso estilo, nosso universo lingüístico e nosso conhecimento de mundo fica implícito em cada sílaba, em cada palavra traduzida, sem, no entanto, fugir ou ser infiel ao texto. Isto nos realiza e nos torna acima de tudo Profissionais.

Rosangela Aparecida Pelegatti Rotter


Ser tradutor é, antes de tudo, dar oportunidade a outrem de conhecer o desconhecido. Oportunizar pessoas, de outras culturas, a conhecer os pensamentos e produções realizados do lado de cá. È ainda dar a outras pessoas a oportunidade de vijar, através do seu texto até o lado de lá, não esquecendo porém de realizar tal proeza de forma sutil, ficando sempre no cantinho para não ser identificado, evitar mostrar o seu estilo no texto a ser traduzido. Não esquecendo de tentar traduzir beleza por beleza,figura por figura, imitando o estilo do autor e dele se aproximando até o limite do possível, fazer da tradução um quadro e uma representação viva da obra
que se traduz.

Joana Anália Albuquerque


“In the same way that the direction of the wind doesn’t determine the sailor’s destination, the language we speak will not determine our destiny.”
Ricardo Schütz

Aprecio a linguagem em todas as suas nuances, amo bricar com as palavras e percebo que os detalhes de riquezas dos diversos idiomas embelezam o mundo em que vivemos.
Guiomar Barros

Guiomar Barros


Ser tradutor antes de tudo significa ser uma pessoa culturalmente aberta. Aberta para o diferente, aberta para o contato com o desconhecido, aberta para as conexoes com aquilo outrora desconectado. Desconectado em termos de lingua, em nivel de relacionamentos interpessoais e interculturais. O tradutor pode ser compreendido com um ser que molda um construto sistemico de ideias, de linguas, de significados, de saberes, enfim, de pluralidades multi, inter e transdisciplinares. Acima de qualquer coisa, ser traduto nos lembra a necessidade de ser um alguem humilde, ensinavel, flexivel e capaz de proceder caminhando em constante amadurecimento teorico, metodologico e profissional, pois, ser tradutor nao lembra ser o detentor das solucoes, mas sim, o investigador e indicador de possibilidades.

Saulo Xavier


Tradutor

artesão de palavras
realizando
a travessia

Aline Naomi Sassaki


Ser traadutor é se apaixonar pelo texto e querer decifrá-lo em outra língua.

Mirian Giannella
Francês<>Português
São Paulo – SP


A TAREFA DAS TRADUTORAS E TRADUTORES

“As tradutoras e tradutores têm como essência de sua tarefa tornar o diferente compreensível. Logo, os seres humanos reconhecem que há diferenças, como não poderiam deixar de fazê-lo, mas precisam transpô-las de alguma forma, porque, como se sabe, os seres humanos são animais discursivos, animais que buscam, pela(s) linguagens postas em discurso, compreender o outro, entender a diferença que é o outro, porque só fazendo isso cada ser humano é capaz de entender a si mesmo: o sentido nasce da diferença.

Num mundo globalizado como o nosso, mundo babélico por excelência, então, essa tarefa se torna ainda mais complexa, pois se a um contato maior com o todo do mundo se associa a busca mais intensa da segurança das partes respectivas do mundo na qual cada grupo humano – e mesmo cada pessoa – está, a compreensão da diferença para a qual a tarefa de traduzir contribui tem de levar ainda mais em conta o outro lado, ou face, do Jano aí presente, que é o público do discurso traduzido, ao lado de uma importante fonte do discurso traduzido, que são os discursos em outra língua, isto é, as formas típicas de numa dada língua, se dizer certas coisas em determinados contextos. Assim, o que se chama de “original” — e prefiro chamar de “texto a ser traduzido” — é na verdade uma das fontes, pois, a depender dessas formas típicas (ou gêneros), a mesma palavra pode apresentar as mais distintas ressonâncias de sentido.

(…)

Desse modo, o ato de tradução é um contato que envolve tanto o acordo como o confronto, uma “negociação” específica entre dois diferentes, ou duas diferenças. Há um diferente do qual se traduz e para esse diferente, a língua para a qual se traduz também é um diferente. O diferente a ser traduzido, apesar da globalização, ainda é local: um falante de uma dada língua dirige-se a seus pares. O diferente para o qual traduzimos requer que um falante de uma dada língua dirija-se a seus pares e não aos pares do autor que ele traduz. ”

“Reproduzido, com permissão do autor, de SOBRAL, Adail. Dizer o “mesmo” a outros – Ensaios sobre tradução. São Paulo: SBS, 2008, p. 112-114.”

Adail Ubirajara Sobral
São Paulo – SP


Quem somos?
Tradutores, afinal, quem somos?

Somos construtores de pontes,
Pontes de palavras, de idéias, de conceitos,
Nossa função?
Reescrever, de modo imperceptível,
Transformar originais em originais,
Redigir o impossível,
Recriar o imponderável,
Nossa sina?
O anonimato, a invisibilidade, o silêncio,
Nosso grande erro?
Ansiar sermos reconhecidos, identificados, percebidos…
Se reconhecidos formos, é por termos deixado nossas pegadas no texto,
Não mais sendo invisíveis, fatalmente estaremos errando,
Tradutores?
Quem somos, afinal?
Construtores de pontes,de palavras, de idéias, de conceitos,
Anônimos, invisíveis, silenciosos,
Assim somos, fomos, seremos,
Até o dia em que o brilho de nossa invisibilidade rompa
definitivamente o silêncio que nos mantém incógnitos,
Neste dia…bem, neste dia o sol e a lua, juntos, brilharão a mais
linda luz jamais vista.
E nós, ofuscados por tanta claridade, continuaremos construindo nossas pontes,
de palavras, de idéias, de conceitos,
de silêncio,
de contentamento.

Ana Julia Perrotti-Garcia
Espanhol > Português <> Inglês – Translator of Dental and Medical Texts
São Paulo -SP


O que é ser Tradutor?

Amar acima de tudo esse extraordinário meio de comunicação que a civilização nos concedeu: o idioma. Tentar continuamente transpor a fronteira que nos separa do visível e audível para entrar no campo do invísivel e inaudível, onde, muitas vezes estão escondidas as verdades que o homem deseja exprimir.

Respeitar, humildemente, as diferenças culturais e, mais do que isso, as diferenças entre os indivíduos. Ter olhos e ouvidos capazes de explorar e fazer aflorar os pensamentos, sentimentos e murmúrios que se abrigam nas entrelinhas e entre uma fala e a outra. Ser tradutor é ser capaz de sentir, chorar e rir com o autor ou o interlocutor, mas saber manter uma distância dele para que seja sempre o seu fiel mensageiro capaz de transmitir de uma forma límpida e pura o seu desejo, isento de emoções que deturpem a sua verdade.

Zelinda Tomie Fujikawa – Rio de Janeiro – RJ


Ser Tradutor

É amar o desconhecido
É ter fome de desvendar mistérios, códigos, linguagem…
É sentir prazer no desafio de verter para uma língua o que a outra já disse
É abraçar seu trabalho como se fosse o único objetivo de sua vida
É aproximar-se de outro idioma com profundo respeito ético
É perder-se e encontrar-se sabendo-se co-criador, tradutor de si mesmo quando se compreende e se surpreende no seu ofício
Saber
Entender
Revelar
Tecer uma
Relação de
Amor como um
Dom
Universal
Traçado
Orgulhosamente na vida e na
Relação com a profissão
 
Lúcia Santos – Recife – PE

 


 

O que é ser tradutor?

Na minha opinião, ser tradutor é, antes de mais nada, SER tradutor e não ESTAR tradutor…é ser profissional de verdade, pesquisar, estudar, correr atrás para fazer um trabalho bem feito, é não aceitar qualquer trabalho e claro, tentar traduzir áreas das quais entenda para não fazer besteira, afinal de contas quem faz coisas demais ao mesmo tempo, acaba não fazendo nada bem feito…é ser uma ponte entre culturas e povos diferentes. É ser aquele que liga, aquele que ajuda a divulgar o conhecimento!

Carolina Dias
Inglês/Português – Biomédicas e Turismo
Belo Horizonte – MG

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30/09/2008 às 0:00

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