Além da Tradução
As mãos de minha Mãe
As mãos de minha Mãe
As mãos de minha Mãe
não eram macias
manicuradas
perfumadas.
As mãos de minha Mãe
tinham calos e feridas
e eram delicadas
- tão delicadas! -
no cuidadoso bordado
no trançar do cabelo
no abotoar do vestido
no fazer do pão.
As mãos de minha Mãe
- ah, as mãos de minha Mãe!
folheavam livros
livros, livros…
E se folheassem os meus?
As mãos bruxas de minha Mãe
catavam ervas
faziam chás e unguentos
curavam feridas
faziam rezas.
As mãos de minha Mãe
- ah que tenho saudades
tantas saudades
das belas mãos
de minha mãe…
© Dalva Agne Lynch
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Asas
Asas
para o aniversário de 49 anos de casados de J.C e M.B
Às vezes o tempo adormece
cansado de destroçar asas
e o amor levanta voo.
Intenso, livre, fecundo
ele atravessa o crivo do tempo
vitoriosamente ileso.
Nós, os de asas partidas
levantamo-nos em esperança
batendo palmas.
© Dalva Agne Lynch
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Amizade
Quero agradecer a este amigo
que quase todos os dias está comigo…
Sou-lhe grato por sempre me oferecer seu aconchego…
Tem sido um amigo inseparável e fiel por todos estes anos…
É o único que realmente me entende, e o único que está disposto a encher-se com as minhas lágrimas…
Foi o que mais me ouviu , e ouviu as minhas preces, e tem aguentado minhas depressões, minhas decepções…
A o amigo que traz dentro de sí a paz e o sossego…
A ele recorro nos dias de desespero…
este amigo está sempre presente em minha casa: é o MEU QUARTO!!!!
Tony Figueira – 18/05/2008
http://www.tradutores.com/tonyfigueira/
A Ave e o Vento
A Ave e o Vento
I
Vôo livre de asa aberta
Contra um vento arredio.
A ave buscando alerta
O vento fluindo frio.
A ave – amando o vento
O vento – amando o vazio.
II
Vôo livre de asa aberta
Contra o sombrio turbilhão.
A ave voando incerta
O vento lutando em vão.
A ave – desafiando o vento
O vento – negando a paixão.
III
Vôo livre de asa aberta
Acima do turbilhão.
A Ave voando certa
O Vento em confusão.
A Ave – calada, esperta
O Vento – soprando em vão.
© Dalva Agne Lynch
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A saga do galego
A saga do galego
Deixou a sua terra
deixou o seu mundo
e foi lutar contra os mouros.
Deixou as verdes montanhas
deixou os rios cristalinos
e foi lutar contra os mouros.
Deixou o seu povo
deixou a sua gente
e foi lutar contra os mouros.
Deixou o alimento farto
deixou o bom vinho
e foi lutar contra os mouros.
Perdeu pais, perdeu filhos
perdeu irmãos e perdeu amigos,
pois, estava lutando contra os mouros.
Perdeu a sua roupa, perdeu a sua gaita
perdeu os seus hábitos e perdeu a sua língua, pois, estava lutando contra os mouros.
Fez órfãos, fez viúvas,
fez dor e fez cair lágrimas,
pois, estava lutando contra os mouros.
Aonde estás hoje, galego,
longe da tua terra,
longe do teu mundo,
longe das verdes montanhas,
longe dos rios cristalinos,
longe do teu povo,
longe da tua gente,
longe do alimento farto,
longe do bom vinho,
sem a sua roupa,
sem a sua gaita,
sem os seus hábitos,
sem a sua língua,
pois, já não tens mais mouros com quem lutar?
Dia de Festa.
Dia de Festa
Do outro lado da rua
no portal iluminado
tem um pinheiro enfeitado
com bolinhas coloridas.
Falou-me o meu amigo
que foi quando nasceu Jesus
aquele que morreu na cruz
pra todos do mundo salvar.
Deste meu lado da rua
no caixilho da janela
minha Hanukiah vela
com nove luzes acesas.
E conto pro meu amigo
que elas falam da espera
dessa linda nova era
que HaMashiah nos trará.
E daí fico pensando
que estamos nós esperando
o mesmo Messias chegar…
© Dalva Agne Lynch
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