Eu sou um gato (Natsume Soseki)
A primeira obra de Natsume Soseki (1867-1916), romancista, crítico e estudioso da literatura inglesa, descreve, na visão felina e ferina do personagem narrador (um gato), o comportamento de seu amo e das pessoas que o cercam. Através deste personagem, Soseki critica e satiriza a intelectualidade da época, o homem e a sociedade, desmascarando-os de forma jocosa e magistral.
Esta obra, além de ter sido adaptada para cinema, telenovela e animação para TV, foi bastante parodiada. Entre alguns títulos constam Eu sou um rato, Eu sou um moleque e Eu sou uma formiga (1937), este último de Yukio Mishima.
Uma curiosidade: esta obra da literatura japonesa foi traduzida com maestria pelo brasileiro Jefferson José Teixeira.
Zelinda Tomie Fujikawa
Tradutora Pública e Juramentada – Português/Japonês
“Não há nada de mais respeitável que o reconhecimento da própria imbecilidade (…) Falta a meu amo a inteligência de se conscientizar de sua imbecilidade ao se olhar no espelho”. Esta é a opinião de um gato a respeito daquele que o adotou. Ao indicar a imbecilidade inierente aos animais da raça humana, suas distorções e conflitos, esse excêntrico bichano constrói um painel agridoce da condição humana nesta primeira tradução em português de Eu sou um gato, de Natsume Soseki.
Publicado em série a partir de janeiro de 1905 na revista Hototogisu, esse romance oferece um panorama precioso e iconoclasta da vida e da intelectualidade do Japão do início do século XX do ponto de vista de um gato. Sem nome, munido de um sarcasmo fulminante e com ares de dândi, o gato é acolhido à casa de um professor estagnado. O olhar de fora, habilmente usado pelo autor, esmiúça o ambiente interior dos personagens que freqüentam a casa de kushami, o professor, desmascarando-os para deleite do leitor, que vira cúmplice do felino.
Os onze capítulos da obra constituem um conjunto de observações e reflexões que funcionam como um mosaico. Todas as passagens são filtradas pela visão ferina do gato em relação a uma certa mediocridade intelectual e mundana que o rodeia e a suas peripécias no pequeno universo em que vive.
Ao lado de autores importantes como Shiki Masaoka e Ogai Mori, seus contemporâneos, a prosa elegante e crítica de Soseki está entre as grandes faturas da renovação modernista japonesa.
Tradução do japonês e notas de Jefferson José Teixeira
Ilustração da capa: gravura ukiyo-e de Hiroshige
Ideogramas: caligrafia (shodô) de Hideo Hatanaka
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